Eu quis tanto ter uma família de novo, ser aceita em um lar, me sentir em casa. Procurei em vários espaços um lar que lembrasse o meu. E o dele, foi o mais próximo que achei. Das vezes que me frustrei com essa ilusão de ainda encontrar meu antigo lar, voltei para minha cidade natal, e sai ainda mais despedaçada, pois lá já não era nem de longe o que eu tinha como casa.
Em um antigo relacionamento eu sofri discriminação por ser nova, negra, tatuada e não ter uma familia nuclear. Fui até o fundo do poço e fiquei por lá durante quatro anos, e a minha sogra era quem fazia questão de cavar cada vez mais fundo, seu filho, por uma questão edipiana, ajudava a mãe a me deixar ainda pior.
Foi um furo gigantesco em meu narcisismo, uma vez que, não me senti amada pelo todo, nem pelas partes que deveria (em minha cabeça) me amar. Aprendi a não querer agradar para ser aceita, e aprendi também a não criar expectativas sobre minhas futuras sogras, sogros e cunhados. Mas…
Vocês vieram, e me acolheram como parte da família de vocês, me aceitaram apesar dos meus erros. Uma família predominantemente branca aceitou uma menina negra, tatuada e adotada, e para além disso me fez sentir digna de coisas boas e em casa.
Me despedi da minha “atual” sogra, foi mais doloroso do que empacotar as coisas do filho dela. Saber que talvez eu nunca mais vá ver com tanta frequencia o rostinho da vozinha me dói o peito, saber que talvez eu nunca encontre uma família assim, que eu sinto prazer de estar perto me deixa triste e apavorada.
No fim, tudo isso só me leva a pensar que como Ana Suy pontua, a gente ama quando é amado. Parte de mim ficou lá com eles, pois, não tem como amar um sujeito separado de sua história familiar, e dessa família eu fui parte.
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