F ORGULHO - BIELA

ORGULHO

Eu sempre me considerei uma pessoa orgulhosa no sentido negativo, daquele orgulho que me empediu incontáveis vezes de fazer algo que queria muito, ou de falar com alguém que eu julgava ter me magoado. Sempre pensei que com a ausência e o silêncio as pessoas entenderiam o mal que me fizeram, e exatamente onde me magoaram, mas, com os anos e o passar das horas, eu descobri, ao acolher alguns afetos e emoções que cada minuto que perdemos longe das pessoas que são importantes não voltam, entendi que cada palavra que negamos não poderão ser colocadas em outros contextos. Enfim, eu descobri que orgulho não vale a pena, e que o preço e esforço é altissimo. Descobri isso de uma maneira dolorosa, quando quebrei um sonho que lutei muito para realizar.

Dia 08/01/2022 eu me vi enviando uma mensagem para meu pai (que já não falava há meses), dizendo "oi pai, agora eu vou precisar de você. Minha empresa ta quebrando e eu não consigo bancar minha faculdade". Passei 4 anos, 48 meses, e algumas dias e semanas (que me recuso a fazer as contas agora), para mandar essa mensagem, mesmo sabendo que eu sempre precisei de ajuda, e que por orgulho não solicitei. Precisei passar por empregos duros, madrugadas em claro, domingos e domingos para entender que meu orgulho iria me matar, que as vezes precisamos falar sobre aquilo que não queremos, e soltar aquilo que não faz sentido algum.

Obviamente que depois que falei com ele (meu pai) fui correndo para iniciar minha analise. Eu sentia que ali, naquele momento eu precisaria dar conta de tudo que emergiria ao abrir mão de algo que me sustentou por tantos anos, eu abri mão de resisti aos meus traumas, e deixei que eles me falassem livrimente sobre eles, eu abri mão do meu maior aliado que era o orgulho.

Eu juro, que comecei a escrever acretidando que iria seguir uma linha continua e falar que sinto orgulho de quem eu sou hoje, e que esse é o único orgulho que eu permito me guiar, que sinto orgulho das minhas escolhas e de tudo que eu construi, mas, eu me perdi...

Me perdi do orgulho, e não sei mais onde ele está, acho que o deixei naquela mensagem que me respondeu dizendo "oi filha, eu vou fazer o que puder para te ajudar até o dia que eu estiver vivo".

Hoje, eu sinto muito orgulho, mas, não no sentido negativo, nem soberbo, sinto o orgulho que enche meu peito e me permite dizer para a Biela de 11 anos atrás que "você consegiu sobreviver minha pequena, continue seguindo". 

É isso, esse é o primeiro post de tantos outros que vou falar sobre medos, inseguranças, coração partido, vulnerabilidade, mas também sobre o lado bom de amar, sorrisos, experiencias e sonhos.

Por fim, 

Espero que você tenha orgulho de quem és!

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