Desde pequena me senti invalidada, por ser mulher e irmã caçula de um homem, não admito que me digam que eu me coloquei nesse lugar de invalidez, uma vez que, eu era apenas uma criança com toda sua feminilidade para ser desenvolvida em meio a um espaço geográfico limitado que era minha cidadezinha.
Mas, isso não vem ao caso agora, o ponto é que por vezes tentaram silenciar minhas queixas, meus anseios, minha singularidade e tudo que eu poderia fazer com minha sensibilidade. Fui astuta o suficiente para jamais me calar, cheia de bons argumentos e um incentivo paterno fui em frente e sonhei desde pequena com um futuro onde eu era a dona da minha vida, independente e livre.
Por vezes me posicionei com a fala, sem pensar incontáveis vezes falei o que pensava (sentiu aqui o ato falho?), agia com o coração, algumas vezes deu errado e me senti envergonhada, porém, na grande maioria das vezes eu me senti forte por expressar quem eu sou e o que sentia naqueles momentos.
Estou escrevendo para tentar entender que eu “falei o que tinha que ser falado” e que não posso ficar refém do pensamento do Outro.
Sempre que alguém me procura para contar algum acontecimento extremo, algo que foge do padrão normativo da sociedade de produção capitalista, eu pergunto o motivo de o ter feito, peço para que comente sobre como se sentiu, e desde que não seja algo que infrinja os direitos humanos, eu me alegro em ver como é possível ainda viver sem barreiras.
Sou grata pela minha voz, pela minha fala, pela minha sensibilidade, clareza e liberdade de pensamento. Mas, sou grata porque falar é algo que para mim promove sentido, sempre reverberou e ecoou em minha história de vida.
Qual sua forma de reverberar no mundo? No seu mundo...
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