Oi,
Nos últimos dois dias tenho lembrado muito de você, e hoje alguém me perguntou qual o problema que eu estou tendo contigo. Essa pergunta me levou para várias questões, fazendo refletir sobre o motivo das queixas recentes, então, me lembrei de nossa mãe e de como ela sempre me deixou em segundo plano (na última semana ela repetiu a cena), e o quanto eu me sentia menos amada, lembrei das vezes que ela comprava coisinhas para você e me deixava de fora da festa, dos aniversários que ela fazia para você e me dizia “o parabéns serve para os dois”, pois a diferença era só uma semana do meu para o seu.
E, por me lembrar e ainda me afetar com a falta de amor, é que eu queria que soubesse o quanto te invejei, o quanto quis ser homem, ser o irmão mais velho, o favorito, o que nunca errou e o que tudo podia fazer sem sentir ressentimento depois. Sempre tive inveja da sua liberdade, da quantidade de amigos que você, por ser homem, podia ter.
Eu tentei tirar as melhores notas, ser a melhor filha, a mais organizada, a mais rápida e desenrolada, só para ver se eu saia da sua sombra. Costumamos dizer hoje em dia, que irmãos mais velhos pregam peças nos mais novos, e hoje rio disso, mas me lembro de todas as vezes que eu solicitei seu carinho e cuidado e você negou com frieza e indiferença. Seja por ser assim, seu jeito de ser e se relacionar, eu sou sensível demais para te amar.
Odeio você, pelo seu falo, pelo amor que você recebeu em excesso da nossa mãe e avó. Eu te odeio porque com toda a força que você recebeu não deveria ser tão fraco e me deixar carregar o peso da depressão da nossa mãe, da solidão da nossa avó, e da indiferença do nosso pai.
Você é o homem, você é quem pode tudo…então por favor não me faça odiar você ainda mais por me deixar sozinha carregar o fardo de toda nossa família falida.
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